Se cada líder entender que, muito mais do que manter ou multiplicar sua célula, seu objetivo é levantar doze de discípulos e formá-los como doze líderes frutíferos, entraremos num nível de conquista sobrenatural.
Textos-chave: Lucas 6:12-13 e Marcos 3:13-15
O grande segredo da multiplicação na visão que Deus nos deu são as equipes de doze. Se cada líder entender que, muito mais do que manter ou multiplicar sua célula, seu objetivo é levantar doze discípulos e formá-los como doze líderes frutíferos, entraremos num nível de conquista sobrenatural.
Precisamos trabalhar nesta direção. Na verdade, é preciso redefinir alguns conceitos na mente de uma parte considerável da nossa liderança. O entendimento equivocado gera uma prática equivocada e os frutos não vêm na abundância desejada.
Vamos então redefinir, nesse estudo, algumas questões fundamentais:
1) Porque trabalhamos com grupos de Doze?
- Porque foi isso que Jesus fez e queremos copiá-lo (este é o nosso principal argumento).
- Porque há um mistério de Deus com relação aos doze. Em toda a Bíblia vemos que esse número está ligado à conquista, multiplicação e governo. Eis alguns exemplos: 1) A promessa da multiplicação feita a Abraão só começou a tornar-se prática quando os doze filhos de Jacó se juntaram no Egito. A partir daí Israel se multiplicou para ser uma grande nação. 2) Grandes líderes da Bíblia tinham uma equipe de doze que estava ligada à conquista – Moisés e os doze espias; Josué e os doze que levantaram um altar de doze pedras na entrada da Terra de Canaã; Salomão tinha doze líderes que o serviam e à sua casa (I Rs 4:7). 3) Na revelação apocalíptica da Nova Jerusalém, que é claramente uma figura da igreja gloriosa, o número doze está em evidência (Ap 21:9-27).
- Porque esta visão tem sido uma chave de multiplicação em inúmeras igrejas ao redor do mundo nos nossos dias.
2) Qual a diferença entre focalizarmos a multiplicação da célula e a formação dos doze?
O líder que focaliza a multiplicação de sua célula como seu objetivo central torna o processo muito lento, pois a cada ano ele consegue multiplicá-la no máximo uma ou duas vezes. Se, ao invés disso, ele apenas usasse a célula para ganhar e consolidar novos discípulos, mas logo os introduzisse numa equipe de discipulado, formaria ao mesmo tempo doze líderes e, ao enviá-los para abrir células e repetir o processo com outros, provocaria uma verdadeira multiplicação.
3) Qual a diferença funcional, então, de uma célula para uma equipe de doze?
Uma célula é instrumento de ganhar e consolidar novos discípulos. Ela é como a rede de pesca na mão de um pescador. Entretanto, à medida que as pessoas são ganhas e entendem o propósito do discipulado, devem ser imediatamente convidadas para fazer parte de uma equipe de doze, que pode ser visualizada como uma escola de pescadores. Quanto mais tempo uma pessoa ficar numa célula sem entrar numa equipe de doze, mais ela se acomodará a uma vida infrutífera. Resumindo: Na célula, eu ganho vidas e as integro à igreja. Na equipe de doze, eu transformo os que foram ganhos em líderes multiplicadores.
4) Quem deve ser chamado para minha equipe de doze?
Aqui está um paradigma que precisamos romper. A maioria dos líderes acha que apenas pessoas aprovadas e já à frente de uma célula devem integrar uma equipe de doze. É como se elas tivessem que passar num “vestibular de maturidade cristã” para galgar esta “posição”. Entretanto, a proposta de Jesus e da visão é diametralmente oposta. As pessoas não são inseridas numa equipe de doze porque são aprovadas, frutíferas e maduras, mas para serem aprovadas, frutíferas e maduras. É no processo do discipulado que elas serão levadas a este ideal.
As únicas exigências para que alguém seja colocado entre os doze são: 1) Que seja realmente nascido de novo; 2) Que demonstre querer crescer na fé; 3) Que aceite relacionar-se com o líder de forma pessoal e submissa, ou seja, que tenha o caráter de um discípulo (ensinável e que reconhece o líder como alguém que pode ensiná-la); 4) Que aceite o desafio de ser treinada para servir e exercer a liderança, ainda que hoje não se sinta apto para isso.
A proposta do discipulado precisa ficar muito clara. A Bíblia diz que Jesus chamou os doze “para estarem com Ele e para enviá-los a pregar” (Mc 3:14). Ou seja, as únicas exigências que Jesus fez para aqueles novos convertidos que se tornaram seus doze foram que eles estivessem dispostos a andar com Jesus e a assumir o ministério quando estivessem preparados.
Um discípulo pode ter muitas áreas na sua vida a serem tratadas e ainda assim fazer parte de uma equipe de doze. Foi o que aconteceu na equipe de Jesus. O que não adianta é tentar trabalhar com pessoas que não têm disposição de pagar o preço do relacionamento (estar juntas na reuniões da equipe), que não reconheçam o líder como uma benção nas suas vidas ou que se neguem a cumprir o chamado de Deus, rejeitando a proposta de serem treinadas para a liderança.
5) E quanto a pessoas que entram na equipe de doze e não correspondem?
Precisamos entender que a equipe de doze é uma equipe de formação, para tornar-se depois uma equipe de trabalho. No processo de formação, há alguns que não correspondem. O líder precisa entender que seu papel é dar o melhor de si e investir naquelas vidas para que elas também se tornem frutíferas. Jesus amou os seus discípulos até o fim (Jo 13;1). Não são dificuldades que devem nos levar a abrir mão de alguém da equipe. Entretanto, se no processo alguém demonstra claramente não querer cumprir o chamado, discipulado não é casamento, pode ser interrompido. Na própria equipe de Jesus, Judas foi substituído por Matias.
6) Quando e como se deve começar uma equipe de doze?
Uma equipe de doze se reúne para discipulado e treinamento. Essa reunião deve ser no mínimo quinzenal (algumas equipes se reúnem semanalmente e costumam ser as mais frutíferas). A partir do momento que o líder tem uma pessoa com as características de discípulo (ensinável e interessado), deve começar a reunir-se com ele para discipulado. Agora, é claro que essa reunião será mais motivante se tiver mais participantes. Então, à medida em que ganha mais discípulos, deve trazê-los para sua equipe, até completar doze.
No começo, quando é pouca gente, essa reunião pode ser feita mais informalmente, antes da célula, por exemplo. Mas precisa haver regularidade, senão já se estabelece o padrão do descompromisso que corromperá todo o processo do discipulado.
7) Quando os discípulos de uma equipe de doze devem se tornar líderes?
O quanto antes. Este é o propósito do discipulado. À medida em que são minimamente preparados, devem ser desafiados a abrir uma célula (quem sabe através da estratégia das Casas de Paz). Na verdade, a equipe de doze passa por dois estágios: a formação e a multiplicação. Ela começa como um grupo de fortalecimento e evolui para uma equipe de trabalho. Quando todos os doze já têm sua célula, ele apenas os supervisionará, motivará e os ajudará a levantar suas próprias equipes.
8) O que é ministrado numa equipe de doze?
Normalmente, o líder ministrará aquilo que ele tem recebido do seu discipulador, na reunião de doze que ele frequenta. Para aqueles, porém, que estão começando a formar suas equipes, com discípulos novos e que ainda nem lideram uma célula, pode ser muito útil repercutir e consolidar os temas ministrados na Escola de Crescimento. Aliás, fazer a Escola de Crescimento deve ser uma exigência para que alguém componha uma equipe de doze, mesmo que ele entre na Escola depois que foi introduzido na equipe (até como consequência da motivação que ele está recebendo).
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