O grande segredo da multiplicação na visão que Deus nos deu são as equipes de doze. Se cada líder entender que, muito mais do que manter ou multiplicar sua célula, seu objetivo é levantar doze, entraremos no nível sobrenatural da visão.
“Então, designou doze para estarem com ele e para os enviar a pregar e a exercer a autoridade de expelir demônios.” - Marcos 3:14-15
Precisamos trabalhar nesta direção. Na verdade, é preciso redefinir alguns conceitos na mente de uma parte considerável da nossa liderança. O entendimento equivocado gera uma prática equivocada e os frutos não vêm na abundância desejada.
Porque trabalhamos com grupos de doze? Em primeiro lugar, porque foi isso que Jesus fez e queremos copiá-lo (este é o nosso principal argumento). Além disso, há um mistério de Deus com relação aos doze. Em toda a Bíblia vemos que o doze está ligado à conquista, multiplicação e governo. Exemplo: A promessa da multiplicação feita a Abraão só começou a tornar-se prática quando os doze filhos de Jacó se juntaram no Egito. A partir daí Israel se multiplicou para ser uma grande nação.
Grandes líderes da Bíblia tinham uma equipe de doze que estava ligada à conquista – Moisés e os doze espias; Josué e os doze que levantaram um altar de doze pedras na entrada da Terra de Canaã; Salomão tinha doze líderes que o serviam e à sua casa (I Rs 4:7), são alguns exemplos.
Na revelação apocalíptica da Nova Jerusalém, que é claramente uma figura da igreja gloriosa, o número doze está em evidência (conf. Ap 21:9-27). Ainda que haja uma corrente de interpretação literal, está claro que a Nova Jerusalém é (também) uma figura da igreja vencedora e se vê o número doze de todos os lados dessa revelação.
Não somos "xiitas" quanto a este assunto. Não cremos que se trata de um dogma ou que a igreja que não trabalha na visão dos doze esteja errada. Apenas seguimos uma linha de revelação que tem base bíblica e que o Espírito nos deu. Além disso, esta visão tem sido uma chave de multiplicação em inúmeras igrejas ao redor do mundo nos nossos dias.
O líder que focaliza a multiplicação de sua célula como seu objetivo central torna o processo muito lento, pois a cada ano ele consegue multiplicá-la no máximo uma ou duas vezes. Se, ao invés disso, ele apenas usasse a célula para ganhar e consolidar novos discípulos, mas logo os introduzisse numa equipe de discipulado, formaria ao mesmo tempo doze líderes e, ao enviá-los para abrir células e repetir o processo com outros, provocaria uma verdadeira multiplicação.
Uma célula é instrumento de ganhar e consolidar novos discípulos. Ela é como a rede de pesca na mão de um pescador. Entretanto, à medida que as pessoas são ganhas e entendem o propósito do discipulado, devem ser imediatamente convidadas para fazer parte de uma equipe de doze, que pode ser visualizada como uma escola de pescadores. Quanto mais tempo uma pessoa ficar numa célula sem entrar numa equipe de doze, mais ela se acomodará a uma vida infrutífera. Resumindo: Na célula, eu ganho vidas e as integro à igreja. Na equipe de doze, eu as transformo em líderes multiplicadores.
Há um paradigma que precisamos romper. A maioria dos líderes acha que apenas pessoas aprovadas e já à frente de uma célula devem integrar uma equipe de doze. Na verdade, ensinamos isso em nossas Escolas de Crescimento, mas precisamos rever este conceito, porque ele trava a visão. Hoje é como se as pessoas tivessem que passar num “vestibular de maturidade cristã” para galgar esta “posição”. Entretanto, a proposta de Jesus e da visão é diametralmente oposta. Os discípulos não são inseridos numa equipe de doze porque são frutíferos, maduros e aprovados em tudo, mas para serem aprovados, frutíferos e maduros. É objetivo e não pré-requisito. É pelo discipulado que eles serão levados ao ideal.
As únicas exigências para que alguém seja colocado entre os doze deveriam ser: que seja realmente nascido de novo; que demonstre querer crescer na fé; que aceite relacionar-se com o líder de forma pessoal e submissa, ou seja, que tenha o caráter de um discípulo (ensinável e que reconhece o líder como alguém que pode ensiná-la); que aceite o desafio de ser treinado para servir e exercer a liderança, ainda que hoje não se sinta apto para isso.
A proposta do discipulado precisa ficar muito clara. A Bíblia diz que Jesus chamou os doze “para estarem com Ele e para enviá-los a pregar” (Mc 3:14). Ou seja, as únicas exigências que Jesus fez para aqueles novos convertidos que se tornaram seus doze foram que eles estivessem dispostos a acompanhá-lo e a assumirem o ministério quando estivessem preparados.
Um discípulo pode ter muitas áreas na sua vida a serem tratadas e ainda assim fazer parte de um grupo de doze. Foi o que aconteceu na equipe de Jesus. É preciso apenas que se mostrem dispostos a crescer... O que não adianta é tentar trabalhar com pessoas que não têm disposição de pagar o preço do relacionamento (especialmente estar juntas nas reuniões da equipe), que não reconheçam o líder como uma benção nas suas vidas ou que se neguem a cumprir o chamado de Deus, rejeitando a proposta de serem treinadas para a liderança. Quem não quer ser líder, nunca será.
Uma equipe de doze se reúne para discipulado e treinamento. Essa reunião deve ser no mínimo quinzenal (algumas equipes se reúnem semanalmente e costumam ser as mais frutíferas). A partir do momento que o líder tem uma pessoa com as características de discípulo (ensinável e interessado), deve começar a reunir-se com ele para discipulado. Agora, é claro que essa reunião será mais motivante se tiver mais participantes. Então, à medida em que ganha mais discípulos, deve trazê-los para sua equipe, até completar doze... Quem trilhar esse caminho estará mais perto do êxito na visão.
Edifique-se
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