Construir um templo pode significar muita coisa. Há aqueles que o fazem apenas para mostrar o seu próprio poder. Por outro lado, há aqueles que trazem intenções muito nobres no coração.
“Tendo Salomão acabado de orar, desceu do céu o fogo e consumiu o holocausto e os sacrifícios; e a glória do Senhor encheu a casa.” (II Crônicas 7:1)
Sabemos que o conceito de templo mudou do Antigo para o Novo Testamento. Jesus, em sua conversa com a mulher samaritana, anulou completamente a idéia de lugares exclusivos para a adoração. Ao dizer que havia chegado o tempo em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade, Ele tira a importância do lugar geográfico para colocá-la no coração do homem. Ou seja, qualquer lugar pode ser um lugar de culto, se ali houver gente disposta a se envolver de verdade.
Alguns entendem, então, que construir templos não faz sentido na Nova Aliança. Os mais radicais chegam a considerar o investimento em prédios como um grande pecado.
Nossa forma de pensar e agir segue um outro caminho. Estamos terminando a construção de um templo, em primeiro lugar porque temos uma necessidade. Uma igreja do porte da nossa tem seu trabalho dinamizado quando conta com um lugar adequado para grandes ajuntamentos.
Se você observar os Evangelhos, verá que Jesus tinha o costume de buscar as sinagogas aos sábados para pregar e curar os enfermos. Ele o fazia muitas vezes nas casas e nas ruas, mas não desprezava lugares construídos para o ensino e a oração. A sinagoga, inclusive, não tinha o caráter místico do templo em Jerusalém. Não era a “Casa de Deus”, mas um lugar construído em cada cidade onde os homens se encontravam para orar e estudar as Escrituras. E era tão adequado ter lugares assim, construídos para esses ajuntamentos públicos e religiosos, que Jesus fazia questão de usá-los.
Um segundo motivo pelo qual entendemos apropriado investir numa construção como esta é o conceito de excelência. Construímos algo para nos abrigar, mas também para honrar a Deus. É uma oferta ao seu grande nome. Sabemos que Ele não habita em templos feitos por mãos humanas, e que nenhum prédio pode conter a sua presença. Nem por isso deixamos de glorificá-lo construindo e dedicando lugares excelentes a Ele. Deus também não precisa de dinheiro e nem por isso deixamos de ofertar. Ele já sabe também o que vamos pedir, antes que a palavra chegue à nossa boca, mas nem por isso deixamos de orar... Os nossos gestos, tem muito valor quando eles visam honrar a Deus.
Além disso, edificar algo com a maior excelência possível, é didático. Queremos transmitir valores para os de fora e para os de dentro. Quando uma pessoa chega em nosso meio, ela deve se sentir importante, valorizada, bem tratada. Isso revela o amor de Deus. Assim, um lugar bem preparado, limpo, confortável é uma mensagem que transmitimos a quem chega, a quem nos visita. Significa: “Você é importante”.
Para os de dentro também queremos transmitir um valor. O templo deve ser a extensão da minha casa. Ou melhor, minha casa deve ser a extensão do templo. Queremos formar um povo que prospere, que com a bênção de Deus busque coisas melhores na vida.
Preste atenção! O lugar em que vivemos revela a nossa alma e nossa alma é consolidada pelo lugar onde vivemos. É um ciclo, e ele pode ser virtuoso ou vicioso. Explico: uma pessoa desleixada, terá uma casa suja, bagunçada, onde as coisas se deterioram sem que se tome uma providência. Isso é um reflexo da sua alma. E como o ambiente em que ela vive é cada vez pior, sua alma também vai se consolidando na bagunça, sem que ela se incomode. Em outras palavras, esta pessoa viverá sempre de mau a pior.
O que queremos com um templo bonito e arrumado é inspirar todos os que o frequentarem a levarem esse padrão de excelência para suas vidas, para suas casas. E excelência não tem relação com a quantidade de recursos financeiros, mas com a forma como aplicamos os nossos recursos. É possível ser pobre e ter uma casa cheia de excelência, assim como é possível ser rico e viver num “lixão”.
Agora, o principal que eu tenho a dizer: não estamos querendo substituir o mais importante. O que vale mais é a glória de Deus e, sem ela, nada faz sentido.
Eu tenho uma expectativa em meu coração: que aconteça aqui o que aconteceu quando Salomão inaugurou o grande templo em Jerusalém. A multidão e as comitivas que vieram para aquela festa chegaram e se encantaram com a beleza e a riqueza daquela construção. Mas quando saíram daquele lugar, ninguém falava mais do templo porque a glória de Deus encheu de tal maneira aquele lugar que tomou completamente o coração de todos.
Que seja assim entre nós também. Não só na inauguração que ocorrerá quinta-feira, mas a cada ocasião em que alguém entrar pela primeira vez nesta casa, eu espero que as pessoas a admirem e se surpreendam com a excelência que nossas mãos construíram. Mas que, ao saírem, elas tenham se esquecido do nosso lindo templo e seus corações estejam completamente capturados pela presença de Deus neste lugar, pois a glória do nosso Senhor é a essência e o sentido de tudo o que construímos.
Edifique-se
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